Durante a Rodada 1 fiquei como observadora da sala 2 que discutiu a respeito das possibilidades de interfaces com as quais as próprias pessoas engajem para dar continuidade na produção (como proposto por Haque), tendo em mente a mudança de foco do produto para o processo (como proposto por Jones). Com o decorrer da dinâmica foi possível abordar exemplos de interfaces criativas como apartamentos com paredes móveis de drywall, com paredes que se movimentam para aumentar o ambiente durante o uso do morador, e casas automatizadas. Essas construções estariam mais votada ao processo e mudanças geradas com o uso do que um resultado estático, como proposto por Jones. Além disso, pontuou-se que o imediatismo, presente na sociedade atual, é negativo para a produção, uma vez que busca um resultado específico e não abre possibilidades para o acaso (produção programática) e descoberta de melhores soluções.
Na Rodada 2 participei da discussão da sala 8 sobre a interatividade interativa e a interatividade não-interativa exemplificando com "objetos" (quase-objetos ou não-objetos), espaços e situações do cotidiano. Nessa sessão foi possível observar as teorias de construções interativas convidativas e que realmente geram interação nas situações do cotidiano. Um exemplo interessante citado foi a implementação de uma praça, no em uma rotatória próxima a casa de uma das alunas, que acaba perdendo seu uso de local de interação entre as pessoas devido ao difícil acesso pela passagem dos automóveis. Além disso, foram pensadas maneiras para a implementação desse tipo de construção na vida comum, que beneficia a vida das pessoas, porém, nesse ponto, foi difícil descobrir propostas concretos para a resolução da proposta. Um recurso apresentado seria a intervenção mais ativa dos usuários de um espaço em questão durante a construção e desenvolvimento de obras, assim, elas pontuam suas necessidades e poderão usar constantemente e gerar uma interação interativa.
Na Rodada 3 atuei no debate da sala 12 a respeito das possibilidades do programático, do acaso e a abertura para a interação dialógica. Durante essa sessão pontuou-se que a sociedade atual baseia-se em padrões muito finalísticos e racionais que acabam gerando um corte com situações orgânicas que geram uma abertura para a criatividade, para o aprendizado e para a atuação ativa da construção do mundo. Foi possível notar, como a própria disciplina de AIA vem gerando certo desconforto, uma vez que nos coloca de ante de propostas programáticas e que exigem de nossa própria atitude para o desenvolvimento. Assim, para nos abrirmos as possibilidades da incorporação do acaso no cotidiano devemos desconstruir algumas crenças limitantes e quebrarmos com barreiras do que já é conhecido e racionalizado. Ademais, foi pensado sobre uma maneira de nós, que estamos tendo contato com essas possibilidades de interações programáticas e dialógicas, podemos atuar para a implementação desse tipo de situação na vida da comunidade. Pontuou-se que, além de conversarmos e tentarmos expor esse tipo de conceito, devemos nos atentar a essas mudanças durante nossa atuação como profissionais, já que o arquiteto tem a ferramenta de concretizar propostas no mundo que influenciam diretamente os hábitos, interações e mentalidade de quem usufrui desse espaço, podendo assim causar um impacto social muito positivo.
Na Rodada 4 foi observadora da sala 16 que explorou o tema de como passar da experimentação estética com a abstração na tela bidimensional para o não-objeto no espaço tridimensional e, mais além, na direção da interatividade-interativa. Essa proposta gerou uma incerteza de resolução, uma vez que a grande dificuldade se pontua na implementação da experimentação estética para a incorporação dos conceitos no cotidiano. Assim, a discussão ficou defasada com pouca participação dos alunos.
Diante dos temas discutidos, foi possível perceber como a população atual, influenciada por uma lógica capitalista, enrijeceu sua abertura para possibilidades e vivências orgânicas, criativas, subjetivas que vão de encontro com o imediatismo, o objetivismo e significação. A conformação social não contempla uma dinâmica múltipla e aberta. Dessa maneira, esses hábitos também são visíveis nas construções e organização do espaço, que refletem monumentos estáticos, pouco convidativos e segregadores.
Nesse sentido, as propostas de não-objetos, recursos programáticos, ferramentas paramétricos e interações dialógicas, abordadas em aula, são alternativas que contrapõem os problemas atuais e geram novas possibilidades na dinâmica do espaço. No entanto, a concretização dessas teorias, para além da experimentação estética, é um desafio. Mesmo com o desenvolvimento cada vez mais múltiplo de recursos digitais, que favorecem as experiências virtuais, a grande máquina do capitalismo não abre campo para esse tipo de arquitetura, forçando que as poucas construções realizadas seguindo os parâmetros da programática e paramétrica se limitem a um pequeno grupo de pessoas e não se desenvolva nos hábitos do cotidiano. Logo, faz-se um desafio desconstruir as crenças limitantes da população e incorporação material desses conceitos na comunidade global.
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